Os Estados Unidos proibiram hoje aos funcionários do Governo norte-americano qualquer deslocação pessoal à cidade velha de Jerusalém, devido a manifestações anunciadas de palestinianos contra o projeto do Presidente, Donald Trump, de transferir para ali a embaixada.





Segundo o Departamento de Estado norte-americano, esta proibição é igualmente válida para a Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel e contíguo a Jerusalém.




Só as deslocações oficiais "essenciais", rodeadas de medidas de segurança adicionais, estão autorizadas, acrescentou o Departamento de Estado.O rei saudita, Salman bin Abdelaziz, recebeu hoje uma chamada de Trump, e advertiu-o de que uma mudança da representação diplomática dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém poderá ser uma provocação para os "sentimentos dos muçulmanos" de todo o mundo."Esta jogada perigosa é provocadora para os sentimentos de todos os muçulmanos do mundo, devido ao lugar de destaque ocupado pela mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém (o terceiro lugar mais sagrado do Islão, após Meca e Medina), salientou o monarca, em declarações à agência de notícias oficial saudita, SPA.Abdelaziz defendeu ainda que a alteração do estatuto de Jerusalém "antes de se alcançar um acordo definitivo vai prejudicar o processo de paz [entre israelitas e palestinianos] e aumentar as tensões na região".Trump telefonou também ao rei Abdallah II da Jordânia, ao Presidente egípcio, Abdelfatah al-Sissi, e ao Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, para lhes comunicar a sua decisão de transferir para Jerusalém a embaixada norte-americana, que será oficialmente anunciada na quarta-feira, indicou hoje a Casa Branca.Jerusalém oriental, que os palestinianos reclamam como capital do seu futuro Estado, encontra-se ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e foi anexada em 1980, numa decisão unilateral israelita não reconhecida pela comunidade internacional.Atualmente, nenhum país tem a sua embaixada em Jerusalém, e a mudança da sede diplomática dos Estados Unidos seria entendida como o reconhecimento da soberania israelita sobre toda a cidade, incluindo a parte ocupada.O ministro dos Negócios Estrangeiros jordano, Ayman Safadi, fez hoje saber que a Jordânia convocará uma reunião urgente dos MNE da Liga Árabe para o próximo sábado, para abordar a decisão de Trump, e uma outra dos chefes da diplomacia dos Estados membros da Organização de Cooperação Islâmica (OCI).Nas últimas 24 horas, Safadi estabeleceu igualmente contactos com muitos países islâmicos e árabes para discutir o assunto, entre os quais Arábia Saudita, Egito, Turquia, Marrocos e as autoridades palestinianas.Já hoje, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que a Turquia convocará uma cimeira da OCI em Istambul se Washington reconhecer Jerusalém como capital israelita.O movimento islâmico palestiniano Hamas também reagiu à decisão de Trump, considerando que ela ultrapassa "todas as linhas vermelhas"."Com o reconhecimento pela Administração norte-americana de Jerusalém ocupada como a capital do ocupante, e com a mudança para lá da sua embaixada, todas as linhas vermelhas foram ultrapassadas", declarou o líder do Hamas, Ismaïl Haniyeh, numa carta endereçada aos dirigentes árabes e muçulmanos e divulgada pelo movimento islâmico.




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