As autoridades ucranianas acusaram hoje de "alta traição" um jornalista da agência noticiosa russa Ria Novosti, detido esta manhã em Kiev, divulgaram os serviços de segurança e o Ministério Público ucranianos.





O jornalista em questão é o responsável pela delegação da agência noticiosa pública russa na Ucrânia e foi identificado como Kyrylo Vychynski.




Vychynski foi acusado de "alta traição", afirmou, em declarações aos jornalistas, um responsável do Ministério Público ucraniano, Igor Ponotchovny, durante uma conferência de imprensa conjunta com o Serviço de Segurança ucraniano (SBU), que realizou hoje buscas nas instalações da Ria Novosti na capital ucraniana.


O jornalista de 51 anos arrisca uma pena até 15 anos de prisão.

Após ter trabalhado em 'media' ucranianos, Kyrylo Vychynski, natural da Ucrânia, foi contratado para ser correspondente da televisão pública russa Rossia. Posteriormente, ingressou na equipa da Ria Novosti.


O profissional recebeu em 2015 o passaporte russo, segundo um decreto assinado pelo próprio Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e publicado na página eletrónica da Presidência russa (Kremlin).


Os serviços de segurança ucranianos acusam o jornalista de realizar "atividades subversivas" a pedido de Moscovo e de ter manifestado apoio aos separatistas pró-russos do leste da Ucrânia, nas autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e de Lugansk, precisou o diretor-adjunto do SBU, Viktor Kononenko.


As autoridades ucranianas acusam ainda o jornalista de ter tentado "justificar a anexação da (península ucraniana) da Crimeia" pela Rússia em 2014.


Para realizar estas ações, Kyrylo Vychynski, que foi hoje de manhã detido em Kiev e que atualmente tem dupla nacionalidade, recebia mensalmente por parte de Moscovo cerca de 53 mil euros, precisou uma fonte oficial, citada pelas agências internacionais.


Os serviços de segurança ucranianos realizaram hoje de manhã buscas nas instalações de dois 'media' estatais russos, a televisão RT e agência noticiosa Ria Novosti, operação que irritou o Kremlin, que prometeu tomar "medidas de reciprocidade".


A Rússia e a Ucrânia estão envolvidas num clima de tensão desde a anexação da Crimeia em março de 2014, que foi seguida de um conflito na região leste do território ucraniano entre as forças de Kiev e os separatistas pró-russos.


Kiev e o Ocidente acusam a Rússia de apoiar militarmente os separatistas, o que é negado por Moscovo, que fala apenas em apoio político.


Vladimir Putin sempre defendeu que a Crimeia é um território historicamente russo que foi injustamente integrado na Ucrânia em 1954, quando ambos os países faziam parte da União Soviética.





nm